quarta-feira, 25 de maio de 2011

...porque é quinta de flor, digo, quinta yellow flower!

A flor e seu nome

Mas o que impressiona mesmo no amor-perfeito é o nome. Que responsabilidade, meu filho! Há por aí uma planta chamada de amor-de-um-dia, que não carece muito esforço para ser e acontecer, como doidivanas. Outra atende por amor-das-onze-horas e presume-se como sua vida é folgada. Há também amor-de-vaqueiro, amor-de-hortelão, amor-de-moça, amor-de-negro... muitos amores vegetais que desempenham função limitada. Mas este aqui não tem área específica, não se dirige a grupo, ocasião, profissão. É absoluto, resume um ideal que vai além do poder das flores e dos seres humanos.
Que sentirá o amor-perfeito, sabendo-se assim nomeado? Que tristeza lhe transfixará o veludo das pétalas , ao sentir que os homens que tal apelação lhe dera não são absolutamente perfeitos em seus amores? Que aquele substantivo, casado a este adjetivo, sugere mais aspiração infrutífera da alma do que modelo identificável no cotidiano?
A tais perguntas o sóbrio amor-perfeito não responde. O outono tampouco. Talvez seja melhor não haver resposta.

Carlos Drummond de Andrade

3 comentários:

Deborah Probst disse...

...amor perfeito, existia entre nós dois, sem esperar que depois, fosse tudo se acabar...
Olha só o que você fez comigo...tô aqui cantarolando Amado Batista!!!!! rs

** Lih ** disse...

Simplesmente Lindo!

Tenha uma otima quinta!

Bejokas!

Rosane Castilhos disse...

Que lindo!
A imagem é tudo de bom!!!